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Confira em anexo a programação completa do 11º Congresso Internacional de Ciências Criminais - "Jurisdição Constitucional e Reformas Penais em Tempos de Pandemia" - PUCRS, que acontece nos dias 11, 12 e 13 de novembro de 2020, na modalidade online.

 

Principais resultados da pesquisa Policiamento Ostensivo e Relações Raciais que será apresentada dias 21 e 22 out, às 16h no canal YouTube do InEAC (/ineac).
Confira a programação do seminário clicando aqui.

Policiais reconhecem existência do racismo, mas negam prática discriminatória; números apontam que pessoas negras têm entre 3 e 7 vezes mais chance de sofrerem violência policial

 

Nos dias 21 e 22 de outubro ocorrerá o Seminário Policiamento Ostensivo e Relações Raciais, que divulga os resultados da pesquisa coordenada pela UFSCar, num projeto em rede, com o apoio do INCT-InEAC, feito nos estados de SP, MG, RS e DF. A pesquisa enfocou o modelo de policiamento ostensivo e seus impactos na produção da desigualdade racial na segurança pública. A pesquisa foi financiada com recursos do CNPq.

Foram analisados dados quantitativos de prisões em flagrante e letalidade policial por cor/raça. Foram feitas entrevistas em profundidade com policiais militares sobre o tema polícia e racismo, permitindo conhecer o que policiais brancos e negros, oficiais e praças, pensam sobre o tema. O seminário contará com a exposição de pesquisadores e o comentário de policiais sobre os resultados encontrados.

Os resultados apontam que pessoas negras sofrem de 3 a 7 vezes mais punições do que as pessoas brancas.

Os policiais associam pessoas negras a atitudes “suspeitas”. A proporção de prisões em flagrante de pessoas negras em relação às brancas chega a ser até quatro vezes maior (ponderando o número de brancos e negros na população). As pessoas negras são alvo mais frequente de uso letal da força. A depender do ano e do distrito, a chance matemática de uma pessoa negra ser morta pela polícia é de 3 a 7 vezes maior do que a chance de um branco receber o mesmo tratamento. Esse quadro foi obtido por meio de dados oficiais de São Paulo e Minas Gerais, pois a deficiência das estatísticas dificulta fazer o acompanhamento em todos os estados.

Os policiais explicam que seu trabalho é baseado na busca ativa de atitudes suspeitas, que a grande maioria dos policiais descreve como sendo características corporais, de vestimenta, de gestual, de modo de andar e olhar, e até de cortar o cabelo. Dessa forma, não são atitudes impessoais que eles procuram, mas tipos físicos estigmatizados, estereótipos sobre o corpo e características culturais forjadas pelo racismo.

As instituições negam a existência de evidências de discriminação racial na atuação policial, o que dificulta discutir soluções para reverter o quadro e melhorar as técnicas de trabalho policial. Os cursos preparatórios não discutem diretamente os efeitos perversos do uso da força letal ou da filtragem racial, que vão desde o constrangimento sistêmico das pessoas negras em sua liberdade de ir e vir, à experiência de ser vítima da brutalidade policial; da desconfiança sistemática na relação polícia-sociedade, até a impunidade de pessoas brancas que cometem crimes sem se tornarem alvo da vigilância das guarnições.

As polícias não ensinam outros métodos de como fazer o trabalho preventivo sem que os policiais tenham que usar o olhar sobre o corpo como única base de sua decisão de intervir. Mesmo a tecnologia de informação empregada na ação policial está baseada em identificar corpos e rostos suspeitos e destacá-los da multidão.

Os policiais negros ouvidos pela pesquisa sabem que o método é discriminatório e violento. Alguns sentem receio de serem abordados por colegas quando estão a paisana ou dirigindo seus carros particulares. Os policiais também afirmam o orgulho de participar de uma corporação que emprega profissionais negros e favorece sua ascensão social, por meio do concurso público. A maioria dos policiais admite que exista racismo na sociedade brasileira, mas nega que a polícia seja parte do problema e, portanto, que possa fazer parte da solução.

 

Serviço: Seminário Policiamento Ostensivo e Relações Raciais

Dias: 21 e 22 de outubro de 2020, às 16 horas

Meio: Canal do Youtube do InEAC

Contato: Jacqueline Sinhoretto (Professora do Depto de Sociologia da UFSCar): (11) 99707- 5187 ; Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

 

Relatório completo da pesquisa disponível em http://www.gevac.ufscar.br/policiamentoostensivo-e-relacoes-raciais-relatorio-de-pesquisa/
No dia 21 de outubro será divulgado o sumário executivo, com os principais achados da pesquisa, no link acima.

Programação do seminário:
MESA I – POLICIAMENTO OSTENSIVO E FILTRAGEM RACIAL (21/10, 16h)
Eduardo Batitucci (FJP/InEAC)
Henrique Macedo (UFSCar/InEAC)
Gilvan Gomes da Silva (UnB/PMDF)
Juliana Leme (UFF/PMMG)
Mediação: Jacqueline Sinhoretto (UFSCar/InEAC)

MESA II – POLICIAIS E DESIGUALDADES RACIAIS (22/10, 16h)
Haydée Caruso (UnB/InEAC)
Felipe Zilli (FJP/InEAC)
Luiza Dutra (PUCRS/InEAC)
Major Albuquerque (BM-RS)
Mediação: Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo (PUCRS/InEAC)

 

 

O site do INTC INEAC disponibiliza aqui a LIVE "As sexualidades (e seu controle) em aspectos históricos"  que contou com a participação da pesquisadora Lana Lage (INCT/INEAC).
 
"O movimento bissexual não reivindica a definição de "atração por ambos os gêneros", apesar de ser ainda utilizada, desde os anos 90 o movimento bissexual procura utilizar definições que não perpetue uma binaridade de gênero. Há também uma estrutura monossexista, que entende que todos são ou deveriam ser monossexuais (pessoas que se atraem por somente um gênero, como gays, lésbicas e héteros), que reflete na escola com o apagamento da bissexualidade, que não é vista como uma orientação sexual válida, além dos estudantes relatarem que não se sentem seguros na escola por causa de sua sexualidade, sofrendo violências, assédio sexual e difamações."
MACIEL, 2020, nesse mesmo sentido, "o grande historiador francês Jacques Le Goff apontou como marca fundamental do Cristianismo a recusa ao prazer. E, de fato, a Teologia Moral produzida pela Igreja teve como uma de suas principais metas o aprisionamento do desejo, por meio da produção de um discurso sobre o sexo, como ressalta Foucault. O ritual da confissão tornou-se momento privilegiado para o controle da sexualidade e, entre as obras que tratam da questão, destacam-se os Manuais de Confissão, destinados a orientar confessores e penitentes durante esse ritual. Atos, intenções e circunstâncias se cruzam em um processo que chamei de volúpia classificatória, que pretende abarcar e hierarquizar todas as possíveis manifestações do desejo sexual. Esse discurso deixou marcas indeléveis na cultura ocidental, produzindo uma moralidade que assimila sexo e pecado e desqualifica todas as formas de sexualidade que fogem às normas dentro das quais o sexo é considerável aceitável."
(LAGE, 2020)
Para discutir as sexualidades (e seu controle) em aspectos históricos, foram convidadas duas mulheres de diferentes gerações para dialogar, Lana Lage e Ketellyn Maciel conversam com a mediação de Sara Wagner York.
 
O vídeo pode ser acessado pelo facebook no endereço https://www.facebook.com/UERJ.SPA/videos/823385468428847/
 
Está disponível no Youtube a aula 16 do curso de extensão "Questões de Gênero", intitulada "Questões de Gênero no Brasil Colônia", com a professora Dra. Lana Lage, pesquisadora vinculada ao INCT-InEAC.
 
assista no link: https://www.youtube.com/watch?v=Ew54aO2A_QY&feature=youtu.be

Chamada para Dossiê "Um mundo em recomposição: uma análise antropológica das novas formas de regulação e certificação dos objetos e pessoas na contemporaneidade"

Neste dossiê iremos recepcionar pesquisas qualitativas e, especialmente, artigos etnográficos que coloquem sob descrição e análise os mecanismos de controle, certificação e reconhecimento dos bens materiais e humanos nas sociedades contemporâneas por meio de novas formas de classificação existentes atualmente. Nossa intenção consiste em reunir um conjunto de papers, produto de pesquisas empíricas, que contribuam para a compreensão das características emprestadas aos procedimentos de estandartização, que compreendem processos de qualificação e definição de critérios de acesso e organização do espaço público, de regulação do conhecimento científico e/ou dos conhecimentos de outra natureza, no universo da justiça, nas políticas públicas de meio ambiente, segurança pública, educação, dentre outros. Visamos com este dossiê refinar o entendimento acerca desses processos de normatização pretensamente universais, mas que olhado do ponto de vista etnográfico revelam nuances significativas quanto aos aparatos mobilizados pelos atores nestas práticas e dinâmicas regulatórias. No entanto, na tentativa de padronização dos mecanismos e critérios de conformação destas arenas públicas, o olhar antropológico se apresenta como uma ferramenta fundamental para avançar em direções que permitam desvelar as diferentes articulações, adequações, composições, ressignificações acerca dessas normatividades estandartizadas, uma vez que mesmo fazendo parte de um processo de padronização que se impõe, moldando formas de regular de diferentes esferas da vida social, ele também tem potencial de elaborar controvérsias envolvendo grupos que criam críticas e justificações para aderir, denunciar, se reapropriar a partir de seus próprios esquemas cognitivos e culturais.

A conformação de regimes normativos, políticos e simbólicos caracteriza o universo da “governança pela norma” em diferentes dimensões, seja na ciência através dos processos nas dinâmicas de produção, reprodução e consagração do conhecimento ou na criação de critérios avaliativos e qualificadores; na organização estética e de ocupação das cidades; na regulação do meio ambiente e seu acesso; do conhecimento tradicional; nas transformações no sistema de justiça, na criação de modelos de qualificação de “novos Mercados”(sustentáveis, étnicos, culturais, etc.), entre outros.

Outro aspecto que se destaca nesse processo é a consolidação de critérios que concedem legitimidade e parâmetros de controle, que se inserem em uma cultura de auditoria, onde tudo é passível de ser avaliado. A (não) adequação gera inclusão e exclusão de países num cenário democrático, através da qual produziria instrumentos que possibilitem a transparência, gerando responsabilização ou accountability, proveniente de uma moral neoliberal que cria protocolos de gestão e controle das coisas e das pessoas.  

As perguntas que nos guiam são: como são construídos os (des) acordos? Como são negociados e criados esses parâmetros de controle e avaliação?  Como distintos grupos acionam e operacionalizam esses critérios em diferentes instâncias? Quais sentidos de justo, cidadania e igualdade são acionados e em que situações? O que esse processo nos informa sobre mecanismos de controle burocrático? Como instituições burocráticas e, consequentemente os atores que as integram, colocam em prática esses instrumentos de controle, regulação e avaliação? Quais novos “espíritos do capitalismo” se colocam no mundo atual ? No mundo pós COVID 19, quais transformações se engendram na tentativa de padronizar e normalização dos corpos e condutas ? 

Assim, propomo-nos a receber textos etnográficos que contemplem e ampliem estas discussões, reunindo trabalhos que abordem: 1) os aspectos contextuais da construção destas formas padronizadas de governança; 2) as práticas dos atores que compõem essas arenas públicas; 3) a descrição de controvérsias que tangenciem a temática do dossiê; 4) processos de construção de critérios e parâmetros avaliativos de classificação e qualificação da ciência e de conhecimentos de outra natureza; 5) os diversos modos de fazer ciência e de reconhecer (ou não) a legitimidade de outras formas de produção do conhecimento; 7) a organização da cidade e da ideia de urbano; 8) produção de novos mercados padronizados; 9) regulação do meio ambiente e seu acesso; e 10) modelos de justiças. 

Os artigos devem ter autoria de, ao menos, um doutor, e serão submetidos à avaliação às cegas de pareceristas externos, atendendo à política da revista. Para dar conta da diversidade de abordagens teóricas e metodológicas dos diferentes campos empíricos e problemáticas a serem debatidos, serão aceitos preferencialmente artigos das áreas de Antropologia e Ciências Sociais, observados os parâmetros de exogenia em relação à UFF.

Organizadores: Fabio Reis Mota (UFF), Hully Guedes Falcão (UFF), Gabriela Cuervo (UFF).

Prazo: 05/01/2021.

OBS: indicar nos comentários aos editores que a submissão é para o Dossiê.

As contribuições podem ser enviadas até 05 de janeiro de 2021 pelo sistema eletrônico da revista: https://periodicos.uff.br/antropolitica/about/submissions#onlineSubmissions

As normas para submissão dos textos são as mesmas válidas para artigos e encontram-se disponíveis em: https://periodicos.uff.br/antropolitica/about/submissions#onlineSubmissions

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