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Claúdio Salles

Claúdio Salles

Que a ideia de realizar e produzir este livro tenha sido meramente concebida já é fato bastante revelador. Reflete o rápido crescimento de um novo campo de estudo cujas raízes se encontram em diversas disciplinas das ciências sociais, mas cuja origem reflete uma das questões mais urgentes da atualidade, qual seja, a crise resultante do aumento das taxas de violência e criminalidade, bem como a incapacidade dos sistemas judiciário e de segurança pública em lidar com a situação de forma adequada e com respeito à pessoa humana. Este livro constitui uma radiografia arqueológica desse novo campo. Explora, com cada entrevistado, a origem de seu interesse no assunto, as raízes intelectuais que influenciaram e informaram esse interesse, assim como a trajetória que levou cada um desses estudiosos pioneiros a contribuir e influenciar esse campo.

Outro marco a ser destacado é que o livro constitui uma coprodução do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e da ANPOCS, o que demonstra a aceitação, no universo acadêmico, das questões da violência, criminologia, segurança pública e justiça (ou a falta dela) como áreas de estudo legítimas. A relutância – justificável – dos acadêmicos em embarcar em estudos nessas áreas, ou em formar parcerias com as polícias para fins de estudo ou formação, foi-se gradualmente corroendo nos últimos 20 anos, graças ao papel desbravador dos estudiosos entrevistados neste livro, os quais reconheceram a necessidade de as ciências sociais abordarem essas questões com rigor.
- Trecho do prefácio por Elizabeth Leeds

Este livro aborda as formas de administração de justiça no conurbano bonaerense, na Argentina, em especial as relativas ao processo de investigação e julgamento dos crimes. Busca identificar, nos casos específicos aqui relatados, como os agentes judiciais, a partir de suas histórias de vida, de suas ideologias profissionais e políticas, de suas posições institucionais e sociais, interagem com as narrativas e histórias de vida das pessoas envolvidas, com a natureza dos conflitos, com os outros agentes profissionais e com as normas legais, a fim de orientar as 'provas' e tomar as decisões correspondentes. Dessa forma, busca-se dar conta da relação entre administração de justiça e as possíveis moralidades e interesses que informam sua prática.

Quarta, 24 Janeiro 2018 20:31

Favelas Cariocas: ontem e hoje

Este livro é uma obra de fôlego, composta a partir de artigos de pesquisadores que participaram do colóquio “Aspectos Humanos da Favela Carioca: ontem e hoje”, realizado pelo Laboratório de Etnografia Metropolitana, no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LeMetro/IFCS-UFRJ), em maio de 2010. O colóquio e os artigos aqui reunidos são, ao mesmo tempo, uma homenagem ao cinquentenário da pesquisa pioneira da SAGMACS – realizada sob a coordenação do sociólogo José Arthur Rios e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, em 1960 –, e uma atualização da produção acadêmica sobre o tema neste início de século XXI, em plena era das chamadas cidades globais.

Os autores que integram esta coletânea, oriundos de diversos campos disciplinares, evidenciam em seus trabalhos não apenas a ideologia urbana intervencionista e autoritária que vigorava à época — cuja marca maior é a política de remoção de populações —, mas revelam ainda que, mesmo nos dias de hoje, essa forma urbana chamada “favela” permanece fornecendo muitos elementos para acalorados e instigantes debates nas arenas públicas. Definida tecnicamente pelo IBGE como “aglomerado urbano subnormal”, a favela emerge no vocabulário da cidade — das letras de samba e funks às manchetes de jornais — por meio de curiosas metáforas e surpreendentes eufemismos.

Nesta obra, também indicada como um material didático para novos estudantes de Antropologia, Roberto Kant de Lima discute algumas questões ligadas ao colonialismo cultural, usando como exemplo sua experiência pessoal como estudante nos Estados Unidos. No livro, já em sua terceira edição, revista e ampliada, o autor propõe o debate em torno da concepção da Antropologia como uma disciplina voltada para a compreensão dos problemas enfrentados pela sociedade que a originou, realizada através do método comparativo. A partir daí, procura desvendar como as diferentes formas que a dominação intelectual ou cultural reveste em diversas sociedades, e mesmo dentro de uma mesma sociedade.

EILBAUM, Lucía. Los "casos de policia" en la Justicia Federal en Buenos Aires: el pez por la boca muere. Buenos Aires: Antropofagia, 2008. 142p. ISBN 978-987-1238-45-3

“Los ‘casos de policía’ en la Justicia Federal en Buenos Aires. El pez por la boca muere” apresenta uma etnografia sobre o funcionamento da Justiça Federal Argentina na cidade de Buenos Aires, em relação ao trabalho realizado nos processos que ingressam no sistema judicial através da intervenção da Policía Federal Argentina.

A coletânea marca a conclusão de um ciclo do Convênio Capes-Cofecub, desenvolvido de 1997 a 2007. São trabalhos realizados por jovens pesquisadores ligados ao programa e por alguns de seus parceiros franceses em torno do tema vida associativa. A abordagem adotada nas pesquisas acerca dos fenômenos cívicos e políticos destacam-se, fundamentalmente, pelo trabalho de campo.

Quarta, 24 Janeiro 2018 20:26

Cosmologias Políticas do Neocolonialismo

LOBÃO, Ronaldo. Cosmologias Políticas do Neocolonialismo: Como uma política pública pode se transformar em uma política do ressentimento. Niterói: EDUFF, 2010. 324 p. Contém Sumário; Contém Referências Bibliográficas; Contém Legislação Citada. ISBN 9788522804726.

Como se não bastassem os conflitos com especuladores imobiliários, empresários de turismo, Marinha de Guerra, e outros predadores e poluidores dos recursos que lhes propiciam a reprodução econômica, política e social, os pescadores de beira de praia se defrontam com mais um tipo de adversário: a criação de Reservas Extrativistas Marinhas. Desenhadas para garantir a preservação histórica, social e cultural desses grupos, são acusadas de serem atentatórias aos princípios de universalidade de acesso aos recursos do mar que, supostamente, por ser um bem comum, está livre para ser explorada a sua exaustão por um mercado cuja avidez não tem limites.

MELLO, Kátia Sento Sé. Cidade e Conflito: Guardas municipais e camelôs. Niterói, RJ: EdUFF, 2011. 210 p. (Coleção Biblioteca EdUFF). ISBN 978852805495.

Discute uma temática contemporânea e polêmica: o relacionamento conflituoso entre a guarda civil e os camelôs na cidade de Niterói. Ao longo do processo de pesquisa, iniciado em 2002, a autora realizou entrevistas, acompanhou o trabalho dos guardas municipais e analisou como são transmitidas as ordens pela Prefeitura, a abordagem dos policiais aos ambulantes e o consequente uso da força física contra eles. Kátia também acompanhou o trabalho dos camelôs, visitou suas residências e conseguiu depoimentos reveladores sobre o processo de legalização do trabalho desses comerciantes.

Quarta, 24 Janeiro 2018 20:24

Entre a caserna e a rua: o dilema do "pato"

SILVA, Robson Rodrigues da. Entre a caserna e a rua: : o dilema do "pato"- Uma análise antropológica da instituição policial militar a partir da Academia de Polícia Militar D. João VI. Niterói, RJ: EDUFF, 2011. 270 p. Contém sumário; Contém bibliografia. ISBN 9788522806867.

Refletir sobre o processo de formação da identidade do policial militar é a proposta do livro Entre a caserna e a rua: o dilema do “pato”. Robson Rodrigues da Silva guia os leitores a partir de dados históricos para a compreensão dos conflitos e dilemas que envolvem a formação desta identidade, algo fundamental para se entender as mudanças pelas quais estas instituições têm passado a partir da redemocratização do Brasil. Segundo o autor, desde sua criação, no século XIX, a Polícia Militar aproximou de sua identidade dos campos militar e jurídico, o que prejudicou o desenvolvimento de características particulares ao ofício de policial.

Este terceiro volume da série de coletâneas, publicadas na coleção Antropologia e Ciência Política dos Programas de Pós-Graduação em Antropologia e em Ciência Política da UFF, reúne os trabalhos classificados no concurso Antropologia e Direitos Humanos Prêmio ABA/Ford. O edital do certame, instituído em 2000 pela cooperação entre a Associação Brasileira de Antropologia e a Fundação Ford, acrescentou aos temas da discriminação e do preconceito o da desigualdade.

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